Sobre os encontros da vida

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Quero começar este texto já fazendo uma pergunta um tanto incômoda: qual foi a última vez que você sentiu que teve um encontro, seja ele amigável, profissional, familiar ou amoroso? Você deve estar dizendo: “Encontro-me com pessoas todos os dias, mesmo quando eu não desejo encontrá-las”. Mas não, não é disso que estou falando. Estou me referindo àquela sensação gostosa de quando você voltou para sua casa, para a sua “vida”, para o seu “mundo”, com o toque do outro na alma.

Se estivermos no período produtivo da vida, espera-se que sejamos capazes de construir e sustentar uma carreira bem-sucedida; que tenhamos família e/ou uma relação amorosa; que tenhamos engajamento em questões esportivas, ambientais ou religiosas; e, o mais “importante”: que estejamos antenados com as redes sociais. Sim, sem elas já não é possível viver. Como você pode notar, estamos ocupados demais. Não estou advogando contra essas coisas, até porque elas fazem parte da vida globalizada; mas me pergunto onde e como estamos quando “ocupados”.

Acompanho pacientes e coachees em suas jornadas, e uma das coisas mais surpreendentes é quando eles percebem que, sob o pretexto de “não terem tempo”, deixam de fazer muitas coisas, como acordar ao lado do companheiro(a), conversar tranquilamente com os amigos, fazer uma refeição sem pressa, trocar olhares de cumplicidade, dar um abraço apertado, ou beijar inesperadamente. Quando não nos permitimos fazer tais coisas, nossa alma empobrece, pois não abrimos espaço para o encontro. Ficamos conectados com desencontros, ou seja, com o que deixa de acontecer.

Sendo assim, convido você, hoje, a pensar como se sente em relação a tudo isso. Você acha que está presente na sua vida e na dos que estão à sua volta? Se a resposta for não, considere rever suas prioridades. Muitas vezes, a resolução consiste em abrir mão daquilo que acreditamos que é essencial para nós, mas que na verdade não é. Talvez você pergunte: “Como fazer para estar mais presente na minha vida?”. Selecionei duas situações que podem ajudá-lo a perceber melhor. A primeira é observar como você reage aos seus próximos convites, seja para um chá de bebê, seja para um casamento. Se eles vêm acompanhados de “eu tenho de…”, “se eu não for…”, por exemplo, é provável que você não esteja disponível para aceitar tais convites. Avalie onde está a dificuldade e também veja se consegue lidar com ela. Se não for possível, procure respeitá-la. Desobrigue-se. A segunda é escutar o que o outro tem a dizer, expressando interesse genuíno. Procure não ficar mexendo no celular a todo instante; aprecie o momento. Observe em que aquela pessoa ou assunto o sensibiliza. Escute com o coração.

Agora que você já sabe ou relembrou a si mesmo algumas formas de estar presente, promova mais encontros com a vida!

Adna Rabelo – Psicóloga

CRP: 05/48233

Revisão: Elaine Canisela

 

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