O ritmo de cada um versus o ritmo do casal

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É certo que a convivência a dois leva a inúmeras descobertas: os espaços de cada um, os limites, os defeitos, e por aí vai. Também é fato que toda relação passa por fases e, parte disso, tem a ver com nossa bagagem biológica – alguns hormônios, por exemplo, estão mais diretamente envolvidos no início da relação; outros, como a ocitocina, parecem estar mais relacionados ao estabelecimento da confiança do casal.

Ao tomarmos consciência desse importante aspecto biológico, devemos nos atentar ao fato de que o trabalho de desenvolver a intimidade do casal vai exigir muito de ambos os parceiros.

Neste processo de desenvolvimento, é importante que cada um vá aprendendo a lidar com seu espaço individual e a se colocar como pessoa, ao mesmo tempo em que lida com o espaço do casal. Um exemplo citado em aula de formação em Psicologia Formativa ilustra bem o desafio a que me refiro: “Na quinta-feira, Pedro recebe o convite de um colega de trabalho para ir ao churrasco no sábado à tarde. Sem pestanejar, ele aceita entusiasmado. Ao chegar em casa, percebe que Renata tinha outros planos para o sábado à tarde e, muito a contragosto, declina o convite”. O que aconteceu aqui?

Cada um de nós tem um ritmo e fluidez próprios. Quando passamos a conviver com o parceiro, por vezes, esquecemos que agora é preciso considerar também o ritmo dele. Pedro é mais acelerado e acha muito importante manter um contato mais próximo com os colegas de trabalho, já Renata é mais reservada e prefere programas com poucas pessoas. Você conhece esse “filme”? É desafiador ajustar os ritmos. Leva um tempo até que isso vá se estabilizando.

Seria mágico e reconfortante poder manter o riso solto e as borboletas no estômago do início da relação. Sabemos que isto não é possível, pelo menos não para a maioria dos casais. Do mesmo modo, usufruir dos benefícios de uma relação estável é para poucos, e ambos precisam investir muito para que isso aconteça.

Mas o que aconteceu com o amor? Como tudo na vida, o princípio da impermanência também é “inerente” ao relacionamento amoroso. As manifestações do amor mudam e, ao que tudo indica, a relação que tem mais chance de sobreviver é aquela que vai se adaptando às mudanças que vão ocorrendo ao longo do caminho, e que mantém, ao mesmo tempo, algo do frescor dos primeiros encontros, apesar do desgaste pertinente às obrigações do cotidiano, dos apelos pelo novo, da dificuldade de lidar com algo que não necessariamente traz uma satisfação imediata, como é caso de comprar um smartphone novo.

Se, apesar dos desafios, você acredita que vale a pena investir na relação, mantenha a firmeza necessária para ter seu espaço individual preservado e também a fluidez, a fim de encontrar saídas para os desafios da relação. O autoconhecimento é uma ferramenta essencial para que cada um vá ajustando em si mesmo aquilo que é possível e também para ir desenvolvendo a aceitação daquilo que não pode mudar.

Adna Rabelo – Psicóloga

CRP: 05/48233

Revisão: Elaine Canisela (19. 992881453)

 

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