Risco ou oportunidade?

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Nos últimos meses, temos escutado frequentemente que nós brasileiros estamos atravessando uma crise. Alguns acreditam que é passageira, outros que vai se arrastar por anos. O fato é que há muita coisa envolvida nessa questão e, sendo assim, é preciso discutirmos um pouco a respeito desse assunto.

 

O que é uma crise? Essa pergunta imediatamente me faz voltar às aulas do curso extracurricular de formação em Fenomenologia Existencial, que fiz no final da faculdade, o qual resgatava  o significado duplo da palavra crise: risco e oportunidade.

 

Parece que muita gente, incentivada por discursos acalorados vistos especialmente nas mídias sociais, tem preferido focar no risco. Não que ele deva ser ignorado, mas deixar de considerar as oportunidades envolvidas também não aparenta ser algo muito produtivo.

 

Como coach e psicóloga clínica, não posso deixar de enxergar que, evolutivamente, temos o mecanismo ancestral de “luta e fuga”, ou seja, quando identificamos riscos para nossa integridade física acionamos o tal mecanismo que nos capacita para literalmente “lutar ou fugir”. Apesar de não vivermos mais nas condições que os nossos ancestrais nos tempos das cavernas, é fato que, até hoje, frequentemente acionamos esse mecanismo. A ansiedade nossa de cada dia é um dos efeitos disso, pois é como se acionássemos um “canhão” para matar uma “formiga”. O que quero dizer é que, de uma maneira geral, quando focamos no risco passamos a funcionar no “menos”, isto é, na retração.

 

Mas e se olhássemos o copo “meio cheio” em vez de olhá-lo como “meio vazio”? Veríamos que podemos aprender com a crise. Enxergaríamos oportunidades. Aqueles empreendedores arrojados sabem disso e tiram proveito de tal situação. Eles sabem que investir num negócio em tempos escassos permitirá desenvolver formas que otimizem os recursos, sejam eles técnicos ou profissionais. E, quando a crise passar, todos os envolvidos no negócio terão aprendido a trabalhar com pouco e assim poderão expandir ainda mais o empreendimento.

 

Você deve estar se perguntando: “Mas eu não sou nenhum empreendedor abastado; como posso então enxergar as oportunidades?”. Pense comigo por alguns instantes: quais são seus planos e sonhos? Talvez mudar de carreira ou abrir um escritório/consultório novo, enfim. Agora que você os têm na cabeça, responda: eles estão estagnados pela crise? Se sua resposta for não, parabéns!  Mas se a resposta for sim, o que você está deixando de fazer por acreditar que não vai conseguir em decorrência dela? Anote todos os pontos. Examine quais são os seus obstáculos. Lembre-se de que nem tudo que você pensa é verdadeiro. Observe as evidências contrárias aos seus argumentos. Provavelmente, se tiver levado esse exercício a sério e com atenção, vai notar que os pensamentos relacionados ao fracasso estão presentes.

 

Caso queira mudar o jogo, está na hora de perceber os obstáculos como algo a ser vencido. Sendo assim, você vai usar suas melhores armas e estratégias, incluindo aqui seus recursos materiais, pessoais e relacionais. Chega o momento de você escolher em que vai focar: risco ou oportunidade?

 

Se oportunidade foi a escolhida, é provável que, para conseguir alcançar seus sonhos, precise desenvolver algumas habilidades ou competências. Talvez precise considerar efetivamente entrar naquele MBA que deseja há tempos ou consultar um coach de sua confiança. Se ainda não se convenceu, pesquise sobre profissionais de sucesso que já atravessaram crises e você notará que todos eles adotaram uma postura de investir enquanto que muitos preferiram apenas lamentar a falta de “sorte”. Minha recomendação como profissional da área é que mantenha o otimismo e olhe para além dos riscos.

 

Adna Rabelo – Psicóloga e Coach

CRP: 05/48233

Revisora: Elaine Canisela (19. 992881453)

 

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