Desautomatize

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Nós, seres humanos, somos constituídos pela bagagem cultural e genética que herdamos somada com a nossa interação no mundo ─ pessoas, objetos, alimentos, natureza, etc. Por sermos essa constante mistura, quando alteramos alguns desses aspectos, geramos mudanças importantes.

Neste texto, não tenho pretensão de abordar academicamente a questão genética, mas apenas de situá-la. O foco aqui recai sobre nossa ação voluntária em nós mesmos e no mundo quanto àquilo que estamos constantemente “alimentando” em nós.

Todos nós temos uma sequência genética da espécie Homo sapiens. Tal sequência é oriunda dos genes recebidos do pai e da mãe ─ mesmo no caso de ser reproduzido artificialmente em laboratório de fertilização. Essa sequência pode levar milhões de anos para ser alterada, conforme a seleção natural descrita por Charles Darwin há mais de cem anos.

Se, por um lado, não temos nenhuma “gerência” individual quanto aos genes herdados, por outro, quando falamos do fenômeno epigenético, estamos falando de qualquer atividade reguladora de genes que não envolve mudanças na sequência de DNA e que pode persistir para as gerações seguintes. Aquilo que comemos, a maneira como nos exercitamos, e até mesmo nosso próprio comportamento, por exemplo, o ato de fumar, podem influenciar na maneira como organizamos nossos genes, podendo trazer consequências para as gerações seguintes.

A herança familiar também pode ser encarada como uma bênção ou um fardo, isso dependerá de como você tem se permitido enxergar as coisas. Há padrões herdados que não são fáceis de lidar, por exemplo, um “estado deprimido persistente” ─ para isso, sugiro leituras sobre constelações familiares (http://www.constelacaofamiliar.com.br/). Mas mesmo os padrões mais difíceis podem ser aceitos e ressignificados, fazendo parte de quem somos e não simplesmente nos definindo.

Outro ponto igualmente importante é que não tem como deixar de relacionar aquilo que somos com o que “alimentamos” todos os dias. Nesse caso, os pensamentos ocupam um lugar de destaque, uma vez que, se mudamos como nos vemos, passamos a nos comportar de outra maneira. Às vezes, é mais fácil observar voluntariamente como estamos usando nosso corpo. Em outras palavras, como você usa seu corpo, por exemplo, para se “diminuir”? Você deixa os ombros caírem, trava a mandíbula ou afrouxa a barriga? São coisas que normalmente não observamos, embora o corpo sempre tenha informações valiosas. Cada pessoa desenvolveu respostas no corpo para expressar o que sente e o que pensa. Não há como separar emoções, pensamentos e ações. Então, se você deseja mudanças na sua vida, é hora de estar mais presente a esses três elementos de modo voluntário, ou seja, observando de perto se o que está ocorrendo é aquilo que desejaria que de fato estivesse. Não adianta culpar o outro por aquilo de que não gosta. É sua tarefa adotar novas ideias e posturas, e “alimentar” emoções de modo positivo. O entorno vai reagir de acordo com o que você transmite e não conforme aquilo que você deseja.

De tudo que falei até aqui, deu para notar como as atitudes fazem toda diferença naquilo que estamos vivendo. Quando estamos no “modo automático”, os dias aparentam ser sempre iguais e fica parecendo mesmo que qualquer mudança é pura “obra do acaso”. Não percebemos ou não nos importamos com nosso papel ativo nas mudanças que queremos na vida. Portanto, desautomatize! Crie novas rotas! Isso não significa que você precisa abrir mão dos velhos caminhos, mas tão somente ampliar novas possibilidades.

Outro dia li um trecho que falava que nossa mente é como um GPS, que o leva ao caminho indicado. Por isso, é importante ter cuidado com os comandos e desejos que estamos jogando no nosso “GPS”. Se deixar simplesmente a “vida levar”, a chance de chegar sempre ao mesmo “destino” é grande. Por outro lado, a parte boa de tudo isso é que podemos a qualquer momento sair do automático e criar novos roteiros. Não que seja fácil, mas certamente lhe trará novos aprendizados e novos “destinos”.

Adna Rabelo – Psicóloga

CRP:05/48233

Revisão: Elaine Canisela (19.992881453) 

 

2 thoughts on “Desautomatize

  1. Texto desenvolvido com muita propriedade e que apresenta com clareza o impacto da personalidade e sua formação, a poderosa presença da atitude positiva e a ideia do GPS como sinalizador de caminhos que podem ser bons ou ruins. Parabéns pelo artigo.

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