Você sabe regular seus impulsos?

 

No post Quem não quer um bolo de chocolate agora? vimos que não é fácil conviver com o impulso.  A boa notícia é que mesmo aquelas pessoas com baixo controle dos impulsos podem aprender a regulá-los. A primeira coisa a fazer é ser capaz de perceber como funciona sua mente. Uma vez vi um vídeo comparando a mente com o globo de neve quando o colocamos na posição contrária. Admito que tenho particular fascínio por essas bolas “mágicas”. Tenho algumas de diferentes cidades e amo observar todos aqueles gliteres girando e girando sem propósito algum. Eles simplemente vão de um lugar a outro. Quando retornamos a posição original, as partículas vão lentemente descendo, até que não há mais gliter ofuscando a visão da cidade. Decidi que iria checar quanto tempo leva até as partículas baixaram. Testei com todas que tinha em casa e percebi que variavam um pouco entre quinze segundos até pouco mais de um minuto. Imediatamente lembrei das minhas práticas diárias de mindfulness. (http://psicologaadnarabelo.com.br/estresse/descubra-o-que-e-o-mindfulness-e-o-que-ele-pode-fazer-por-voce/) Há dias que levo menos tempo até achar um lugar para mim em meio aos meus pensamentos e emoções, há outros que preciso conviver por um tempo maior com a agitação da minha mente. Já consigo perceber que quando saio de casa sem realizar minha prática, parece que não percebo muito bem a “cidade”, é quando  posso me perder com mais facilidade em meio aos gliteres girando de um lado a outro.

Quando passei a observar mais e mais como minha mente funciona, pude perceber que a agitação não vai deixar de existir, mas pude aprender a encontrar um lugar para mim em meio a esse turbilhão. É um treino constante. Sei que nunca terei folga, pois as bolas de neve foram projetadas para funcionar assim. O que mudou é que passei a perceber a beleza de ver os gliteres passeando um lado para outro freneticamente para, logo em seguida, acentarem no fundo. A imagem antes embaçada, vai ganhado mais cores,como se ganhasse uma visão em 3D. Quando pude constatar os benefícios da prática na minha vida, passei a trabalhá-la também com meus pacientes, em especial, com aqueles que sofrem com a sua impulsividade.  Cada um tem seu tempo. É extremamente gratificante perceber os ganhos que vão obtendo com seu treinamento pessoal. Quando sugiro pela primeira vez, nem sempre conseguem ver o valor da prática, pois uma das dificuldades que surge é a expectativa de encontrar resultados fabulosos ainda na fase inicial, o que leva às vezes a frustração. Aqui meu próprio treinamento acaba sendo muito útil, pois é assim mesmo que a nossa mente funciona, ou seja, autocrítica, exigente, comparativa e muito mais, então posso dizer que há um momento em que passamos a olhar para tudo isso com mais “gliter” no globo de neve e, seguimos com a nossa observação. E se fossos capazes de seguir com a observação, também podemos manter o foco no que é importante.

Você deve estar se perguntando, em que exatamente a prática de observar o funcionamento da mente me ajudaria a lidar melhor com meus impulsos? Sem ter a pretensão de esgotar a questão, é possível dizer que os “impulsivos” tem mais facilidade de se “grudarem” com o gliter e, na tentativa de se desvencilharem dele, agem impulsivamente. Podem se engajar facilmente em comportamentos potencialmente “adictos” como comer, beber, comprar, jogar ou fazer sexo. Todos sabemos que tais práticas costumam provocar satisfação imediata e é importante reservar um espaço para elas na vida. A questão se coloca é que quando estamos imersos apenas (ou uma grande parte) na satisfação imediata, perdemos de vista o que é relevante. Aquilo que tem valor para nós.

É então que entra a parte do trabalho duro: ajudar o paciente aprender a  tolerar a frustração e o tédio. Sem eles, nossos valores essenciais ficam opacos. É o autocontrole que nos ajuda a “pesar” melhor na balança o que é importante e o que é prazeroso. Nem sempre caminham juntos. Quando se quer apenas a vida boa, o desejo recai em comer o quanto temos vontade, sem avaliar o impacto na saúde física e emocionalmente. Comprar tudo que se vê pela frente mesmo que isso signifique nunca usar determinadas coisas. Colecionar parceiros sexuais sem desenvolver intimidade e por aí vai. Ficamos presos no prazer imediato. Deixamos para outro dia, o árduo trabalho de lidar com nossas emoções, de tomar decisões mais conectadas com aquilo que verdadeiramente acreditamos. E quando nos damos conta, o tempo passou. Já se foram anos ou décadas. A boa notícia é que é sempre tempo de recomeçar. A única coisa que precisa fazer agora é dar o primeiro passo. Se você não consegue sozinho, busque ajuda!

 

Adna Rabelo -Psicóloga

CRP: 05/48233

Revisado porElaine Canisela 

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