Você acredita que tudo que pensa é verdadeiro?

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No meu quase um ano morando no Rio de Janeiro, já me perdi algumas vezes. Faz parte do processo de aprender a se locomover pela cidade. Não que eu goste quando isso acontece, mas eu sabia que poderia ocorrer em algum momento.

Semana passada, eu precisava chegar à Barra da Tijuca (para quem não conhece o Rio, saiba que se trata quase de outra cidade, de tanto que seu acesso é complicado e um pouco distante, mesmo do centro, para os padrões cariocas) e foi então que senti o desespero de estar realmente perdida na Cidade Maravilhosa. Mesmo com os recursos dos aparelhos de GPS, você pode se meter em confusão, pois o dispositivo não consegue prever acessos que se fecham e abrem com a velocidade da luz.

Eu já estava confusa com as instruções recebidas, quando resolvi parar em um posto de combustível. Um senhor – que depois eu descobriria que se tratava de um anjo da guarda – perguntou se eu queria abastecer. Envergonhada, falei que estava apenas perdida, tentando achar no mapa a bendita Linha Amarela. Foi então que algo extraordinário ocorreu: ele se ofereceu para me deixar na entrada que dava acesso a ela. Falei que não precisava e que bastava que me desse algumas orientações. Explicou-me que era taxista e que, independentemente da direção que tomasse, haveria passageiros em potencial. Fiquei perplexa, sem acreditar que alguém que eu nunca havia visto na vida, daria uma volta razoável somente para me ajudar a tomar de novo o caminho certo. Dadas as circunstâncias, não pude recusar a ajuda. O senhor cumpriu o prometido e pareceu que meu agradecimento foi o suficiente para que se sentisse recompensado.

Tudo isso provocou em mim um profundo sentimento de gratidão. Tentei guardar o máximo de tempo comigo as sensações corporais de estar agradecida. Fiquei tão comovida que cheguei a comentar tal gesto com várias pessoas, contribuindo assim para renovar não só as minhas crenças pessoais de que existe gente do bem, mas também as das pessoas do meu convívio.

Além da gratidão despertada, tudo que aconteceu levou-me a refletir acerca dos preconceitos que alimentamos diariamente. Rotulamos: “baiano é preguiçoso”, “carioca é malandro”, “as pessoas hoje em dia não querem trabalhar”… A lista é grande.

Por um lado, criar categorias para classificar as pessoas é extremamente humano. Trata-se de um mecanismo que nos ajuda a tomar decisões em poucos segundos, por exemplo, se devemos ou não confiar em uma pessoa. Em contrapartida, se fixarmos na primeira impressão, é provável que deixaremos passar a oportunidade de fazer novos amigos ou estabelecer parcerias de trabalho apenas por estarmos fechados em um juízo pré-concebido.

Situações no cotidiano oferecem possibilidades de atualizarmos nossas crenças. Algumas delas estão tão negativas que nos fecham portas, impedindo-nos de ampliar nossas respostas ao meio em que vivemos. Sabe aquela pessoa que tem todas as condições para deslanchar no trabalho, mas não consegue? Ou aquela garota linda e simpática que está sempre sozinha queixando-se de que não existem homens interessantes? Quero dizer que, se não estivermos atentos, estaremos vivendo as mesmas coisas – incluindo aquelas de que não gostamos – somente pelo fato de estarmos reforçando as mesmas crenças, como as de que “não se pode confiar em ninguém”.

Aprender a identificar quais pensamentos estão limitando sua vida profissional ou amorosa, certamente, provocará grandes mudanças na sua vida. Uma vez identificados, precisam ser confrontados. Muitos pacientes e amigos escutam com certa perplexidade quando pergunto: “Você acredita que todos os seus pensamentos são verdadeiros?”. É sempre uma interrogação que causa alguns instantes de estranhamento, pois algo dentro deles diz: “Quer dizer que nem tudo que penso é verdadeiro?”.

Aí começa o trabalho que amo muito, que é ajudar o paciente ou coachee a reconsiderar suas crenças limitantes mais usuais e como substituí-las por outras bem mais libertadoras.

Como se pode perceber, não é necessário que a pessoa se encontre em um sofrimento profundo para buscar atendimento psicológico. Basta que ela queira se conhecer mais profundamente e/ou queira alterar alguns padrões de comportamentos que estão emperrando alguma área da sua vida.

Se precisar de ajuda especializada, entre em contato.

 

Adna Rabelo – Psicóloga

CRP: 05/48233

Revisão de Elaine Canisela (19. 992881453) 

2 thoughts on “Você acredita que tudo que pensa é verdadeiro?

  1. Muito bom este artigo, e melhor ainda perceber que podemos sim e devemos sim estarmos aptos às mudanças nas coisas mais simples de nosso dia-a-dia,que muitas fezes emperramos por conta de um pré-julgamento feito por nós mesmo.

    Parabéns

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