Quem não quer um bolo de chocolate agora?

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Imagine por alguns segundos um delicioso bolo de chocolate – aquela textura macia e fofinha. O cheiro leva você diretamente para a cozinha da sua avó, e as lembranças da sua infância tomam conta da sua mente. A única coisa em que você consegue prestar atenção agora é no bolo de chocolate, e você até consegue antecipar o prazer que ele lhe trará.

Você não considera a possibilidade de abrir mão dessa gratificação. Talvez, “neste” momento, você já o esteja comendo ou tentando negociar internamente, dizendo a si mesmo que você teve uma semana difícil e, por isso mesmo, merece ter um pouco de satisfação na vida. Você então come o bolo. Sua decisão foi impulsiva. Alguns minutos depois, você foi capaz de ponderar que não estava com fome, que havia outras opções mais adequadas à dieta que você estava arduamente tentando seguir. Agora já é tarde!

Saber renunciar a um prazer imediato em prol de um objetivo futuro é desafiador para todos nós. Verdade seja dita, é que para alguns é bem mais difícil que para outros. Há pessoas que mais facilmente adiam sua gratificação, pois são capazes de enxergar e manter o foco no objetivo futuro. Essas pessoas têm vontade também de ceder às tentações, mas conseguem postergá-las – elas não deixam de sentir os apelos vindos dos sentidos.

Trabalhando com pacientes impulsivos, é possível perceber que eles seguem esse padrão, seja em relação à comida, à bebida, às compras, ao exercício físico, ao jogo ou ao sexo. Ao mesmo tempo em que se sentem eufóricos e poderosos quando estão completamente “focados” no seu objeto de desejo, eles eliminam naquele momento qualquer possibilidade de adiar ou desistir do prazer imediato, embora logo depois se sintam fracassados e confusos ao perceberem que não foram capazes de se manterem “fiéis” aos seus objetivos.

Ser capaz de dizer “não” aos próprios desejos em benefício de algo maior depende de algumas variáveis, e aqui quero explorar um pouco o aspecto cultural. Desde muito pequenos, fomos educados dentro da lógica do consumismo, que entende que a escolha não precisa ser pautada pela necessidade, e sim pelo desejo. Ao consumir X, você espera alcançar Y.

O produto ou serviço vai “trazer” juntamente um valor inestimável, como poder, pertencimento ou aceitação, por exemplo. Sendo assim, quem não quer se sentir especial, merecedor de tantas coisas boas? O que você precisa fazer em troca? A resposta é simples: você só precisa comprar. Se tiver dinheiro, as coisas estarão disponíveis para você em poucos segundos.

Voltemos então ao bolo de chocolate que ainda deve estar “derretendo” na sua boca. Parece mesmo irresistível, não é? Afinal, quase todos os apelos parecem educar nossa percepção para valorizar o impulso. Quando você consome ou adquire coisas, você não precisa lidar por alguns momentos com suas próprias emoções. Você é capaz de eliminar a frustração, a decepção ou a tristeza, por exemplo. O paradoxo de tudo isso é que, após o consumo, você experimenta a frustração, a culpa ou a raiva; e não era justamente isso que você estava tentando evitar? Se nada for feito para mudar esse ciclo, ele poderá perdurar por anos.

Então, um dia você percebe que poderia ter outra vida se mudasse esse quadro, mas você não sabe por onde começar. Você teme abrir mão de tanta gratificação. O pensamento “tudo ou nada” parece invadir sua mente, e você fica divagando se agora deveria ser mais duro consigo mesmo, e se deveria abrir mão para sempre “daquele” bolo de chocalate tão fofinho e macio.

Você então se pergunta se valeria mesmo a pena. Um amigo sugere que você procure terapia e, após algumas hesitações, você resolve dar uma chance a si mesmo. A pergunta de um milhão é: o que é preciso fazer para desenvolver autocontrole? Esse será o tema do nosso próximo post. Fique com a gente!

Adna Rabelo – Psicóloga

CRP 05/48233

Revisado por Elaine Canisela 

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