Pare de se criticar!

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Nos primeiros anos da infância, com o nobre objetivo de melhor lidarmos com as situações desafiadoras dessa fase, desenvolvemos inúmeras estratégias de sobrevivência.Uma delas é utilizar o nosso lado crítico. Este é usado para, basicamente, achar defeitos em nós mesmos, nos outros e nas circunstâncias. Os pensamentos gerados são: “o que há de errado comigo?”, “(…) com você?”, “(…) com este resultado?”. E, por sermos ainda crianças, as explicações dadas por nós são tão imaturas quanto nossa idade na época. O curioso é que, mesmo depois de nos tornarmos adultos, ouvimos nosso crítico interno como a “voz da razão” e, pior que isso, nos misturamos tanto a ele que acreditamos que somos um só com ele. Conheço muita “gente grande” que até hoje pensa e age como se estivesse lá na infância.

Pensando que está tudo errado, vêm a raiva, a vergonha, a culpa, o ressentimento e a ansiedade. Não é fácil viver sob o julgamento do impiedoso crítico!

Você deve estar se perguntando agora: “Se esse julgamento traz tantos efeitos negativos, por que simplesmente o mantemos?”. Lembram-se do que eu falei no início? Por termos desenvolvido ainda na infância, enraizamos esses pensamentos de tal forma que parecem realmente verdade. Além disso, para fundamentá-los, vamos dizendo a nós mesmos continuamente: “Se eu não me pressionar para atingir tal resultado, serei um preguiçoso”, ou “se eu não punir você por seus erros, você não vai aprender com eles”. São alguns exemplos.

Se, por um lado, há o crítico interno, por outro temos uma faceta iluminada dentro de nós. E, para que a “voz” desta seja mais ouvida que a “voz da razão”, é preciso fortalecê-la. Uma das coisas de que podemos constantemente nos lembrar é parar imediatamente sempre que estivermos formulando mentalmente frases do tipo: “eu deveria…”, “eu sou burro”, “não faço nada correto”. Nessas situações, dê um comando mental, como ao se deparar com uma placa de trânsito escrito “pare” (e pare mesmo!). Somado a isso, esteja mais atento à respiração se estiver comprimida, é provável que você esteja alimentando um ninho de pensamentos negativos dentro de si; por isso, comece a respirar mais profundamente.

Sem perceber, passamos a funcionar no modo automático negativo. Atualize seu cérebro! Lembre-o de que você é quem está no comando, e não aquela criança assustada que não sabia o que fazer. A partir daí, você começará a criar um espaço interno para que possa ouvir seu lado iluminado.

Mesmo que pareça falso no primeiro momento, comece a apreciar o que há de melhor em você e nos outros. Todos temos um lado positivo que precisa ser mais bem desenvolvido. O que você diz para você mesmo quando acorda? Permita-se dizer coisas boas, mesmo que ainda não acredite muito nelas. Por que acreditar em tudo que seu crítico interno diz? O que você tem obtido de vantagens com ele?

Às vezes, tenho pacientes que ficam maravilhados quando começam este trabalho de reorganizar crenças tão negativas; mas, após alguns meses, expressam certo cansaço por ainda não terem obtido o resultado desejado. Preciso dizer a eles que foram necessários muitos anos para desenvolver um padrão tão estabilizado de criticar a si mesmo; então, não precisam se cobrar em mudar isso com a velocidade dos ventos.

Portanto, vá com calma, mas mantendo sempre o foco na mudança! Aprecie o caminho! Comece a perceber as pequenas transformações e reforce-as. É assim que mudamos.

Se precisar de ajuda, entre em contato!

Adna Rabelo – Psicóloga

CRP: 05/48233

Revisão: Elaine Canisela (19. 992881453)

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