O que fazer enquanto você espera?

Segundo o Dicionário Aulete, esperar significa “aguardar, ter esperança, desejar que alguma coisa aconteça”. É algo que fica entre o desejo e a concretização do mesmo. É o “entre”.
Ele pode ser algo extremamente produtivo, se o entendemos como uma incubadora de sonhos; mas também é possível que se torne em um mar de ansiedade. Aprender a manejar essa fase é um dos nossos grandes desafios para o desenvolvimento pessoal.
Alimentar sonhos e desejos é essencial para dar sentido à vida e até mesmo para conferir uma direção de futuro. Frequentemente, podemos desejar coisas antagônicas e, sendo assim, às vezes é necessário se permitir um tempo até que algo mais consistente vá se organizando interiormente. Não se trata de uma espera meramente passiva. É um tempo de gestação. É tempo para se observar. Quando você pensa em algo, como você pensa? Como você sente aquilo que pensa?
A maioria dos pacientes e coachees me olha com muita perplexidade quando faço perguntas desse tipo. Isso porque desenvolver a auto-observação é um processo. É ir aprendendo a perceber o corpo e senti-lo por inteiro. Tudo isso leva tempo.
Por outro lado, na ânsia de obter uma resposta, podemos desenvolver uma pressa ou ir até o outro extremo, mantendo-nos numa espera passiva, sem fim, acreditando que algum dia aquela oportunidade “cairá do céu”.
Afinal, o que fazer enquanto você espera?
A palavra é: desenvolva! Trata-se de uma ação carregada de atividade. Aprenda a desenvolver aquilo que precisa. Se você espera o amor da sua vida, aprenda a amar profundamente a si mesmo. Se você espera deslanchar na carreira, aprenda a confiar nos seus instintos e a ter autocontrole.
Fazendo o gancho com um dos exemplos citados, quando o amor por si próprio fica em segundo plano, é provável que caia na armadilha de tentar preencher o vazio interior com outra pessoa, acreditando e exigindo que ela faça isso por você. Aí, é o mar da ansiedade. O corpo trata de registrar e construir a linguagem verbal e postural do ansioso. E, para quem tem pressa, qualquer coisa serve.
Não sei o que você precisa desenvolver, mas você sabe. Então, arregace as mangas e comece a trabalhar a partir do ponto em que está. Todos os dias, reserve um momento para conversar consigo mesmo. Pode ser em qualquer lugar. Pergunte-se: “Como eu estou?”. Aguarde a resposta. Pode ser que você precise apenas de um tempo para si mesmo.
Liberte-se da tentação de se criticar. Quando começar a perceber que está formulando frases do tipo: “eu deveria” ou “eu tenho que”, pare imediatamente. Não vale a pena, acredite! Troque a frase por: “eu gostaria de fazer isso?”. A sensação será incrivelmente diferente.
Saia do automático; deixe de conversar sempre sobre as mesmas coisas com as mesmas pessoas. Sintonize outras falas, outras vibrações. Quando estamos negativos, não é de se estranhar que busquemos pessoas para alimentar exatamente o mesmo estado emocional. O mesmo acontece quando percebemos que precisamos mudar: procuramos pessoas que possam nos ajudar a sair da mesmice.
Transformar esse “entre” em um processo ativo é algo que apenas você pode fazer. Somente você poderá dar o pontapé inicial. Nenhum familiar, companheiro, nem mesmo o psicólogo pode fazer por você.
No entanto, se você decide dar o primeiro passo, é importante buscar ajuda especializada que contribua com seu desenvolvimento pessoal, ajudando-o na construção e/ou fortalecimento de seus recursos internos, na aceitação daquilo que não é possível mudar, e na estabilização de um estado emocional mais positivo.

Adna Rabelo – Psicóloga

CRP 05/48233

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