Não se diminua para agradar a quem quer que seja


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Ninguém disse que ser mulher é fácil. Inúmeros imperativos são disseminados diariamente: a obrigação de ser linda, atlética, profissional, mãe amorosa, parceira sexual… Os “deveres” do ser mulher são tantos que podem obstruir aquilo que temos de melhor.

Ao mesmo tempo em que conquistamos duramente um espaço com um pouco mais de igualdade perante o sexo masculino, ainda falta muito para que a mulher seja efetivamente respeitada.

Se esperarmos que essa respeitabilidade venha espontaneamente, sem que tenhamos que fazer nada, estaremos alimentando uma grande frustração. Por isso, para começar, precisamos pensar como temos educado nossas meninas. Será que temos educado para ser a princesinha do papai, aquela que é sempre boazinha? Dizemos: “Ah, minha filha nunca me dá trabalho, ela é tão colaborativa!”? Fazendo isso, sem perceber, vamos construindo espaços reduzidos para a futura mulher.

Quando chega a adolescência, a menina vai percebendo seu corpo como fonte de prazer e pode querer desfrutar experiências diversificadas neste processo. Mais uma vez, o que é mais provável que ela escute: “Você quer ser piranha? Você não vale nada mesmo!” (obviamente, estou resumido algumas falas e experiências, para destacar como alguns discursos vão sendo construídos ao longo da vida da mulher). Com isso, reforçamos mais um estereótipo que a limita em seu desenvolvimento sexual e pessoal.

Quando adulta, se ela resolver viver uma relação a dois, ainda que seja independente financeiramente e tenha inúmeras qualidades, poderá assumir um papel “abnegado” na relação com seu parceiro, fazendo-se parecer bem menor do que de fato o é, apenas para agradá-lo. Poderá, também, restringir sua liberdade de falar o que pensa, de ter seu espaço com as amigas, ou limitar seus sonhos profissionais em nome da estabilidade da relação.

Não precisa ser assim! E para que não o seja, toda mulher deve conhecer suas necessidades e seus desejos. Precisa aprender a lidar com a fluidez que lhe é peculiar, que lhe permite adaptar-se a diferentes contextos e, ao mesmo tempo, ela necessita estabelecer algumas fronteiras seguras para si mesma. Ao falar de fronteiras, me refiro a dizer “não” quando desejar dizê-lo, preservar sua individualidade e, sob nenhuma circunstância, permitir o estabelecimento da violência física e/ou emocional.

Talvez, muitas que estejam lendo este texto podem acreditar que já é tarde para si mesmas, ou porque já perderam seus trabalhos, seu amor próprio ou sua rede de amizades. Recuperar tudo isso dá um trabalho e tanto, mas todo preço é pouco, quando voltamos a pertencer a nós mesmas.

Pode ser que você não esteja vivendo nada tão “grave” assim, mas se perdeu nos papéis de mãe e esposa, anulando ou restringindo bastante seu espaço como mulher na sua própria vida. Busque ajuda! Assim como você, muitas mulheres passam por isso diariamente e o que as faz sair deste círculo vicioso é a coragem para se desvencilhar do mesmo.

Adna Rabelo – Psicóloga

CRP: 05/48233

Revisão: Elaine Canisela (19. 992881453)

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