Não desista de você mesmo

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Hoje assisti ao filme A Teoria de Tudo. Ele conta a história do físico Stephen Hawking, um homem realmente admirável, não apenas por todas suas contribuições científicas, mas também pela pessoa encantadora que é. O filme tem várias cenas tocantes, especialmente quando Stephen é diagnosticado ainda na juventude com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) e seu prognóstico reservado era de que provavelmente viveria apenas mais dois anos. Atualmente, o físico tem mais de setenta anos e, considerando sua vontade de viver, ainda terá muitos anos produtivos pela frente.

Pois bem, voltando ao momento do diagnóstico, o que mais me impressionou foi sua reação. É verdade que ele ficou com raiva e triste, mas foi muito além disso. Resolveu que tinha muita coisa a ser feita. Não desistiria. Assim, nesse meio tempo, casou, conclui seu doutorado, teve três filhos, além de ter produzido importantes considerações científicas sobre o tempo.

O filme me fez refletir sobre nosso compromisso diário com aquilo que prezamos e acreditamos. É provável que você não tenha se deparado com nenhum diagnóstico como o dele, mas pode estar passando por outros desafios, como uma crise no relacionamento ou no trabalho. Sua cabeça pode estar mergulhada em tantas e tantas questões, mas talvez seja hora de parar de focar na crise e observar o que você está desenvolvendo a partir dela. Que tipo de pessoa você está se tornando? Como tem reagido aos acontecimentos?

Por vezes, nos deixamos deter por nossa forma atual de ser e agir, o que habitualmente chamamos de “ego”. Sem dúvida, quanto mais “ego”, menos liberdade; pois, ao ficarmos presos em nossas respostas habituais, impedimos a nós mesmos de agirmos de outra maneira.

As crises podem reforçar as reações mais usuais, como o sofrimento ou a autopiedade, por exemplo. Mas elas também podem nos ajudar a desenvolver uma parte de nós que está adormecida. Falo aqui do “ser” que guarda dentro si o potencial infinito da cura e do crescimento, o que implica construir novas respostas. Se as atuais geram sofrimento e angústia, somente quando ativarmos em nós mesmos os recursos do “ser”, seremos capazes de construir novas maneiras de agir, curando velhas feridas.  E quando falo aqui de cura, não me refiro à ausência de “problemas” ou “fantasmas internos”, mas de saber que podemos construir internamente um hangar espaçoso, no qual os “entulhos” já não nos fazem esbarrar constantemente.

Pare por alguns instantes e observe se suas ações estão prendendo-o ainda mais em uma garagem entulhada ou levando-o a construir um hangar arejado e espaçoso. As situações difíceis costumam gerar algum tipo de instabilidade e é normal que isso ocorra, mas a maneira como encaramos bem como as respostas que construímos a partir disso podem levar-nos a desenvolver muito de nós e em nós.

 

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Adna Rabelo – Psicóloga

CRP: 05/48233

Revisora: Elaine Canisela (19. 992881453)

2 thoughts on “Não desista de você mesmo

  1. Sua proposta é muito interessante, pois desistir de si mesmo é como desistir de viver.
    Gosto da afirmação de que o rio só chega ao seu destino final ( em condições naturais minimamente preservadas) porque “aprendeu” a contornar os obstáculos.
    Então, as crises podem nos ensinar a encontrar novos caminhos, novas posturas diante de si mesmo.

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