Converse mais com você mesmo

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Tempos atrás, uma amiga comentou que estava envolvida em um relacionamento fadado ao insucesso e que, apesar disso, se sentia “compelida” a continuar encontrando-se com o companheiro. Ela disse também que, após os encontros, se sentia culpada e arrependida. Quando perguntei se ela percebia em que momento criava a postura corporal do “compelida”, ela não soube falar. Limitou-se a dizer que continuava encontrando-se com o rapaz porque acreditava que não conseguiria se relacionar com outra pessoa, pois não se sentia atraente.

Visto que os pensamentos guiam as ações, perguntei se ela sabia como isso se concretizava fisicamente no caso em questão, e ela disse que era algo de que não tinha a menor ideia. Como o termo “compelida” já havia se tornando um padrão “ativado” há alguns anos, ela sequer notava como agia; sabia apenas que após o encontro sentia culpa e arrependimento. Então veio aquela pergunta para a amiga psicóloga: “O que posso fazer?”.

Foi pensando nessa pergunta que resolvi escrever este texto. E como psicólogos têm perguntas e não respostas, fiz o meu primeiro questionamento: “Você já conversou consigo mesma sobre o que a está compelindo a encontrá-lo?”. “Não”, ela disse com certo constrangimento. A primeira coisa que veio à minha mente foi o provérbio mexicano: “A conversa é o alimento da alma”. E deve ser mesmo. Acredito que não apenas a conversa com o outro, mas igualmente importante é a conversa consigo próprio. Quantas vezes estamos confusos e perdidos por não sabermos como agir e, quando começamos a nos perguntar sobre como estamos nos sentindo, “surpreendentemente”, a solução que estávamos buscando aparece. Não raro, a saída é não ter uma solução. Aí, pode entrar em cena a aceitação, mas já seria outro artigo.

Antes de voltar a falar sobre a importância da conversa interior, preciso dizer que, ao longo dos anos, vamos adquirindo um jeito nosso de reagir aos acontecimentos. Também é verdade que podemos alterar o curso das nossas reações, transformando-as em respostas. Reação e resposta podem parecer sinônimas, mas não são ‒ pelo menos não da forma como estou utilizando aqui. Reação pode ser entendida como uma “re-ação” a outrem, por exemplo, quando você diz: “Xinguei porque você me insultou”. Provavelmente, o “xinguei” é um padrão tão automatizado que talvez você não perceba exatamente em que momento começou a fazê-lo. Mas, com certeza, houve uma mudança física, incluindo a alteração da voz, do tônus muscular, dentre outras. A resposta, por outro lado, é algo que envolve uma maior consciência de como se está sendo afetado e, então, você escolhe como quer manifestar sua emoção e/ou pensamento. A reação é automática, já a resposta é consciente.

Portanto, o que quero enfatizar é que, quanto mais conversar consigo mesmo, desenvolvendo intimidade com sua maneira de reagir, mais discernimento você terá da dimensão corporal envolvida. Você vai aprender, por exemplo, a notar os sinais mais sutis quando pressionar algumas partes do seu próprio corpo, o que possibilitará sentir rigidez ou relaxamento internos e/ou oscilações da temperatura e dos batimentos cardíacos. Com isso tudo, mais fácil se tornará a construção de uma resposta que seja condizente com aquilo que você deseja mudar em si mesmo.

 

Adna Rabelo – Psicóloga

CRP: 05/48233

Revisora: Elaine Canisela (19. 992881453)

 

One thought on “Converse mais com você mesmo

  1. Excelente texto! Nos faz refletir sobre o que verdadeiramente está por trás de nossas ações. Como resultado aprendemos a nos respeitar mais.

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