Como vai a sua criança interior?

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Essa semana, comemoramos o Dia das Crianças, uma data alegre e festiva. Todos nós, adultos, já fomos crianças um dia. Para falar a verdade, temos muito mais da infância do que poderíamos supor. É verdade que muitos se lembram, com saudosismo, dessa fase da vida como algo extremamente prazeroso; outros ficam aliviados de pensar que aquele período finalmente virou passado. E, considerando que a infância foi vivida por todos nós, eu gostaria de fazer uma pergunta muito importante: como vai a sua criança interior? Para começar, você sabe o que isso significa?

Independentemente da idade cronológica, temos um “ser” que carrega memórias emocionais dentro de nós, tanto de registros positivos quanto negativos. Essa criança interior tem necessidades básicas de carinho, de atenção, de dar boas risadas, por exemplo. São nossas necessidades emocionais. Quando os registros negativos são maiores e/ou muito traumáticos, podemos manter nossa criança interior tão escondida que chegamos a acreditar que ela nunca existiu. Entretanto, de uma maneira ou de outra, ela dá seu jeito de aparecer, ainda que seja disfarçada em uma dor que nunca passa, em crítica impiedosa, em sabotagem, e por aí vai. Na verdade, é o pedido de socorro para que possamos resgatar partes nossas que ficaram para trás.

Você deve estar se perguntando: “Como esse papo de criança interior pode me ajudar hoje?”. Para falar a verdade, de muitas maneiras. Como eu já venho falando em posts anteriores, o desenvolvimento pessoal acontece ao perceber-se como um ser inteiro, com suas virtudes e falhas. É um processo gradual que culmina com a aceitação de ser quem você é. Pode parecer muito fácil para sua mente racional, que talvez esteja dizendo: “Mas eu já me aceito como sou”. Vá um pouco mais fundo! O que você diz para si mesmo quando quer fazer uma apresentação no trabalho e simplesmente não consegue? Ao querer construir uma família e fica cada dia mais distante disso? Ou querer fazer novos amigos, mas termina sempre sozinho?

Se suas respostas a essas perguntas forem: “Não tenho nenhuma qualidade, ninguém vai me querer”; “Sou muito desastrado, faço tudo errado”; ou qualquer resposta no mesmo estilo, sem dúvida, buscar resgatar sua criança interior é uma tarefa essencial para seu desenvolvimento pessoal. Se avaliarmos bem, todos nós temos um potencial incrível de possibilidades e de desenvolvimento. No entanto, nem todos se dispõem a pagar o preço, pois permanecer simplesmente criticando a si mesmo ou culpando os outros e/ou as circunstâncias pelos infortúnios é um caminho bem mais fácil, embora gerem efeitos bastante negativos.

Se você já está convencido de que precisa fazer algo por sua criança interior, mas ainda não sabe por onde começar, você já deu o primeiro passo. Dada a largada, continue o processo. É importante que você note como se sente diante de determinadas situações e o que elas despertam em você. Por exemplo, quando perceber que sua reação emocional está desproporcional ao evento, como na situação de você reagir impacientemente por sua namorada demorar 15 minutos a mais que o habitual para se arrumar em um jantar de sábado à noite, apenas observe e, sem julgamento, comece a estabelecer contato com suas necessidades emocionais. Ninguém melhor do que você para cuidar de si mesmo. Enquanto não for capaz de fazer isso, permanecerá preso na expectativa ─ seja na forma de cobrança, provocação ou dependência emocional ─ de que alguém faça por você.

Crescer pode até ter um preço, mas permanecer preso nas reações infantis também tem. Que preço você está disposto a pagar?

 

Adna Rabelo – Psicóloga

CRP: 05/48433

Revisão: Elaine Canisela (19. 992881453)

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